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Idosos independentes aumentam na Paraíba

Katiana Ramos / 11 de junho de 2017

Foto: Rafael Passos

 

 

Aos 81 anos, Daura Farias esbanja bom humor e vitalidade. Morando sozinha há mais de 20 anos, difícil é vê-la ociosa. As mãos habilidosas para o artesanato são as mesmas que vez por outra vão a cozinha fazer um prato especial ou “um bolinho para as visitas”, como ela comenta. O número de pessoas com 60 anos ou mais morando sozinhas na Paraíba tem aumentado progressivamente. Em 2015, haviam 75.636 moradores com este perfil no Estado.

 

O dado é da edição mais recente da Pesquisa por Amostra Domiciliar (PNAD), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para dona Daura, que tem cinco filhos, 20 netos, dois bisnetos e inúmeros amigos, ter as rédeas da própria vida e da própria casa significa viver melhor na terceira idade.

“Vou me deitar às 8h da noite e acordo às 5h da manhã. Faço meu café, preparo o almoço e vou para o IPM. Passo a manhã conversando com o pessoal e fazendo meus artesanatos. À tarde, cuido do jardim, faço um lanche e volta a trabalhar. Aqui, todo mundo me ajuda, me faz companhia também”, detalhou a artesão, que há três anos mora no Condomínio Cidade Madura, em João Pessoa.

Na Paraíba, as mulheres estão vivendo mais e a expectativa de vida, de acordo com o IBGE, chega aos 76,8 anos. Na contramão dos idosos que moram sozinhos por abandono ou negligência da família, estão os que vivem assim por opção, mostrando independência para conduzir a própria vida. Segundo dados da PNAD, de 1992 a 2012, a quantidade de idosos morando sozinhos na Paraíba aumentou 51,8%. Já de 2012 a 2015, o aumento foi de 20,1%. “Minha mãe sempre dizia: “Olhe, Daura, quando os filhos da gente tiverem suas casas, não vá muito à casa deles. Tenha seu cantinho, porque é sempre melhor receber a visita”, recordou a idosa.

Manter-se ativo é segredo para longevidade

Com expectativa de vida que alcança a média 72,9 anos, a Paraíba caminha para ser um dos estados do País com o maior número de idosos na próxima década, segundo apontou a última ‘Tábua de Mortalidade’, divulgada em 2016 pelo IBGE. O aposentado José Ferreira, de 71 anos, caminha para esta faixa etária com uma simpatia e solidariedade ímpares. Morando sozinho há três anos, desde que a esposa com quem foi casado por mais de 50 anos faleceu, ele busca sempre cuidar da saúde e do bem estar e o conserto de equipamentos eletroeletrônico é muito mais distração do que ocupação. “Faço isso aqui quando eu quero. Gosto de mexer com essas coisas, consertar. É bom para distrair, passar o tempo”, comentou o idoso, revelando ainda que cuida dos afazeres domésticos.

O geriatra e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Instituto Toniolo, Guilherme Cherpak, lembra que a preparação para chegar a terceira idade com saúde deve aliar boa alimentação e atividades físicas desde cedo. Além disso, a prevenção ou cuidados prematuros de problemas como hipertensão, diabetes e osteoporose, devem ser priorizados.

“Dessa forma você consegue chegar à terceira idade com mais independência, porque, no nosso corpo, tudo que a gente não usa vai perdendo a função. Se você deixa de trabalhar os músculos, eles vão ficando mais fracos; se deixa de trabalhar a cabeça, a mesma coisa acontece. Então, é preciso fazer um acompanhamento médico regular desde jovem para rastrear e prevenir doenças que não venham causar problemas mais a frente”, reforçou o médico.

Seguindo as orientações médicas, José Ferreira conta que está mais cuidadoso com a alimentação. Mas, para ele, manter a mente saudável é o principal para que o corpo também esteja bem. “Consertando isso aqui eu me distraio, reforço a memória, converso. Tudo no meu tempo, sem pressa”, disse o aposentado.

DESTAQUE: “O que temos cada vez mais valorizado na geriatria é a função muscular. O idoso tem a capacidade de perder, progressivamente, massa magra. Por isso, é comum a figura do idoso magrinho, sem forças. Mas, se desde cedo ou ainda na idade adulta a pessoa tiver um suporte nutricional adequado e atividade física regular, diminui esses danos”. Guilherme Cherpak, geriatra.

 Motivação para atividades diferentes

Com o olhar apaixonado para o esposo, Maria Anunciada Brandão acredita que o amor é a motivação para viver mais. Há seis anos, Maria (67 anos), que era viúva, e Carlos de Sena Brito (73 anos), que é divorciado, se conheceram e iniciaram um romance que logo se transformou em casamento. Os dois moravam com familiares, mas sempre foram independentes e ativos. Outro ponto em comum do casal é o gosto por viagens e atividades de lazer, como a dança.

O estímulo na busca de novas possibilidades, seja em relação ao lazer, estudos e outras atividades, é um forte aliado para o bem-estar emocional dos idosos. A psicóloga da Hapvida Saúde, Lívia Vieira de Melo, lembra que é importante motivá-los em atividades que eles possam fazer por si mesmos. Contudo, se houver queixa de solidão, é importante a companhia de um parente ou cuidador. “Nunca de deve desmotivá-lo, mas, instigá-lo a prosseguir. Os idosos gostam de sentir-se ativos e prezam por sua privacidade.

Elogio é sempre válido, algumas vezes é necessário ouvir que é capaz para novamente acreditar. Eles gostam de ser ouvidos, de ter reconhecimento. Idosos também gostam e merecem atenção”, explicou.

A especialista alerta ainda que esse cuidado com a mente e o corpo devem ser priorizados ao longo da vida adulta, porque as conseqüências das atitudes que a pessoa toma nessa fase vai aparecer na velhice. “Vícios, trabalhos de risco, as dores e doenças adquiridas na velhice são apenas consequências de escolhas inconsequentes da juventude, como cirrose num alcoólatra, ou resquícios de atividades repetitivas como, por exemplo, hérnia de disco num pedreiro”, complementou Lívia Vieira.

Dicas para chegar a velhice com a saúde mental em dia:

1° Qualidade de vida: alimentação saudável, exercício físico e lazer;

2° Respeito próprio: valorizar a sabedoria adquirida, se respeitar para conquistar o respeito do outro;

3° Manter a mente ativa: ler; praticar atividades que lhe inspirem prazer; buscar conhecimentos novos;

4° Sorrir sempre;

5° Ir periodicamente aos médicos: realizar check-up de seis em seis meses;

6° Buscar companhias de qualidade: neste item vale tudo, até animais de estimação;

7° Conhecer o próprio corpo e seus sintomas, não escondendo se algo estiver errado;

8° Aceitar a velhice com orgulho e sabedoria;

9° Respeitar suas limitações;

10° Deixar ser cuidado;

Fonte: Lívia Vieira de Melo, psicóloga

Residências precisam de adaptações

A queda é o tipo de acidente o qual os idosos estão mais vulneráveis. Para se ter ideia, do total de 4.179 pacientes atendidos no Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa vítimas dessa situação, 1.024 eram de pessoas com 60 anos ou mais. Os dados são de janeiro até abril deste ano. O risco desse tipo de ocorrência está nas ruas e também em casa.

Em se tratando das residências, pode ser necessária algumas modificações para evitar esse tipo de ocorrência. A atenção com o piso, largura das portas e extinção de batentes estão entre as medidas básicas que devem ser adotadas para prevenir acidentes domésticos.

“O banheiro é, geralmente, o local mais propenso a quedas. Por isso, pode ser necessário colocar barras de apoio para o idoso atrás da bacia sanitária e no espaço reservado ao banho, verificar se a instalação do chuveiro, se for elétrico, está segura e com o dispositivo que impede a descarga elétrica”, alertou o engenheiro civil e assessor institucional do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Paraíba (CREA-PB), Corjesu Paiva.

Ele lembrou ainda que as portas, sobretudo no caso de pessoas cadeirantes ou idosos com problemas de mobilidade, devem ter pelo menos 80 centímetros de largura e a construção de batentes entre os espaços internos da casa não devem ultrapassar 2,5 centímetros de altura ou, preferencialmente, devem ser evitados. “Além dessas intervenções, é importante observar também se o piso está adequado. Não se deve, por exemplo, colocar piso de porcelanato, que é mais liso”, complementou o engenheiro.

 PB tem condomínio modelo para idosos

Na Paraíba, os idosos que moram sozinhos ou com parentes, mas não possuem casa própria têm a oportunidade de exercer a autonomia e ganhar mais qualidade de vida. Primeira iniciativa do País, o Condomínio Cidade Madura, existente em João Pessoa, Campina Grande, Cajazeiras e Patos, foi construído com a estrutura adequada às necessidades dos idosos.

Nos quatro condomínios são 160 idosos contemplados com as residências e o local conta ainda com uma Unidade de Saúde e diversos profissionais da área para atender aos moradores, além de horta comunitária e redário. “O condomínio foi pensado com o conceito de dignidade e integração da pessoa idosa. São pessoas ativas, mas que viviam sem uma moradia digna em situação limitada, sem sua individualidade”, explicou a secretária de Estado de Desenvolvimento Humano, Aparecida Ramos.

Além dos quatro condomínios já construídos e entregue aos moradores, outros dois residenciais estão em construção, sendo um no município de Patos e outro em Sousa, ambos no Sertão. Ao todo, os dois vão beneficiar mais 80 idosos. Para participar da seleção e conseguir uma unidade habitacional é preciso que a pessoa tenha 60 anos ou mais, uma renda de até três salários mínimos e não tenha casa própria.

 

PatosTV com correiodaparaiba.com.br

 

Data: 
domingo, Junho 11, 2017 - 19:30
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