PATOS PARAÍBA - Uma Retrospectiva Histórica

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PATOS ? Paraíba
UMA RETROSPECTIVA HIST?RICA

Autor: José OZILDO DOS SANTOS

OS PRIMEIROS HABITANTES DA REGI?O

até os prim?rdios do século XVIII, o sertão das Espinharas era habitado por ind?genas da na??o tarairi?s ? verdadeiros tapuias do Nordeste ? que desde o princ?pio, ofereceram forte resist?ncia ? penetra??o lusa e ? conquista do interior paraibano. Possuidores de elevada estatura, aqueles silv?colas alimentavam-se basicamente de mel de abelha e frutos silvestres.
Guerreiros corajosos, os tapuias praticavam o endocanibalismo, ou seja, comiam seus pr?prios parentes, ?alegando que o melhor lugar para guard?-los, era dentro de si mesmo?, e, diferenciam-se da na??o Cariri, por fazer uso de uma l?ngua truncada, sendo, por isso, considerados ?b?rbaros? pelo elemento luso-brasileiro. Na??o formada por muitas tribos, os tapuias eram n?mades. E, segundo estudos recentes, realizados pelo professor José Elias Borges, habitavam o território do antigo município de Patos, os Jandu?s, os Ari?s e os Panatis.

A CONQUISTA DO sertão DAS ESPINHARAS

Na segunda metade do século XVII, iniciou-se o desbravamento e o povoamento efetivo do sertão das Espinharas. No dia 4 de fevereiro de 1670, o governador geral do Brasil, sediado na Cidade da Bahia, concedeu a chamada ?Data da Ribeira dos Espinharas?, que teve como benefici?rios o capit?o Antônio de Oliveira Ledo, Cust?dio de Oliveira Ledo, capit?o Francisco de Abreu e Lima, alferes João de Freitas da Cunha, José de Abreu, Lu?s de Noronha, Antônio Martins Pereira, Estevam de Abreu de Lima, Sebastião da Costa, Gaspar e Gon?alo de Oliveira Pereira.
A referida concesSão abrangia um território correspondente a 50 l?guas de extenSão, por 12 (doze) de largura, sendo 6 (seis) para cada lado do rio das Espinharas, principiando das nascen?as do aludido curso d??gua, ao sertão a dentro, tendo como fronteiras a serra da Borborema. No requerimento endere?ado ao governo geral, os suplicantes informaram que as referidas terras eram ?povoadas de ?ndios? e foram descobertas ?com grande disp?ndios de suas fazendas e riscos de suas vidas pr. serem de tapuios, qe. nunca tiveram conhecimento de brancos? .
Essa concesSão n?o foi demarcada e nem recebeu confirma??o r?gia. Tr?s anos mais tarde, os irm?os Antônio e Cust?dio de Oliveira Ledo, associados a Manoel Barbosa de Freitas, obtiveram uma outra data de terra e sesmaria, ?que come?ava das vertentes da Serra do Teixeira, pelo rio das Espinharas abaixo?, com tr?s l?guas para cada banda do referido rio.
A presen?a efetiva do elemento luso-brasileiro, no interior nordestino, despertou revolta entre os tapuias, que pondo-se em armas, passaram a acatar as fazendas de gados, em diversos pontos, causando s?rios preju?zos aos colonizadores brancos. Essa revolta, conhecida como ?Guerra dos B?rbaros?, em pouco tempo espalhou-se por todo o sertão paraibano, atingindo as capitanias vizinhas do Cear? e do Rio Grande do Norte. E, apesar da superioridade b?lica do elemento branco, essa guerra foi longa e desastrosa, somente terminado em idos de 1722, por via diplom?tica, após a assinatura de um tratado de paz, que foi o primeiro na Am?rica Latina, firmado entre um soberano europeu e um chefe ind?gena brasileiro.
Coube, pois, aos irm?os Teod?sio e Francisco de Oliveira Ledo, juntamente com o desbravador Manoel Vidal Curado de Garro, a conquista do sertão das Espinharas, cujo povoamento foi acelerado ainda no início do século XVIII. Assim, aos 18 de fevereiro de 1718, um certo Manoel Alves Gomes, morador da Capit?nia da Paraíba, obteve uma data de terra e sesmaria no futuro território patoense, cujas terras localizavam-se por detr?s da Serra dos Cavalos, indo até a Serra do Maborigua. Hoje, parte integrante dos municípios de São Mamede e Quixaba.

AS PRIMEIRAS FAZENDAS DA REGI?O

A primeira fazenda de gado instalada no território patoense, pertencia ao desbravador João Pereira de Oliveira (filho de Antônio de Oliveira Ledo). Oriundo do Baixo São Francisco, aquele pioneiro chegou ao sertão das Espinharas na companhia de seu pai. E, em 1677, j? encontrava-se instalado com sua fazenda, ?s margens do Riacho da Farinha.
No entanto, no início do século XVIII, essa fazenda, com casa de taipa e curral de pau-a-pique, foi vendida ao coronel Domingos Dias Antunes. Anos mais tarde, por morte desse pioneiro, a referida propriedade passou a ser administrada por seus filhos Antônio e Mariana Dias Antunes. Entretanto, a parte herdada por Antônio Dias Antunes, na segunda metade daquele século, foi vendida ao capit?o Paulo Mendes de Figueiredo, que instalou sua fazenda de gados nas proximidades da lagoa ?dos Patos?, de onde prov?m o top?nimo, que passou a designar o arraial, n?cleo inicial da atual cidade de Patos.

A CAPELA DE NOSSA SENHORA DA GUIA

Antiga Igreja Matriz de Nossa da Guia, conclu?da em 1772. Hoje, capela de
Nossa Senhora da Concei??o

Movidos pela f?, Paulo Mendes de Figueiredo e sua esposa Maria Teixeira de Melo, associados ao desbravador João Gomes de Melo e sua esposa Mariana Dias Antunes, aos 26 de mar?o de 1766, doaram partes de suas terras para a constitui??o do patrim?nio da futura capela de Nossa Senhora da Guia, que pretendiam erigir no arraial, que se formava. Esse patrim?nio, ratificado aos 28 de novembro de 1786, mais tarde, foi aumentado por doa?es de outros moradores da regi?o.
Em 1772, a capela de Nossa Senhora da Guia j? estava conclu?da e ao seu redor, os fazendeiros Paulo Mendes e João Gomes de Melo constru?ram as primeiras casas de moradas. As estes pioneiros, cabe a fundação da povoa??o dos ?Patos?, que, aos poucos, foi adquirindo delineamento urbano. Nota-se, portanto, que a cidade de Patos nasceu da conjun??o do elemento religioso, apoiado na atividade econômica, representada pela pecu?ria, que incentivou o povoamento dos sert?es nordestinos.

DE POVOAÇÃO À VILA

A localiza??o privilegiada, a exist?ncia de aguadas e a fertilidade do solo, foram fatores que contribu?ram para o r?pido crescimento da pacata povoa??o, que adquirindo import?ncia econômica, tornou-se sede da Freguesia de Nossa Senhora da Guia, criada através da ProviSão R?gia n? 14, de 8 de outubro de 1788. Seu território, foi desmembrado da Freguesia de Nossa Senhora Santana, sediada na antiga Vila Nova do Pr?ncipe, atual cidade de Caic?, no vizinho Estado do Rio Grande do Norte (e n?o, da Matriz de Pombal, como até agora vem sendo divulgado), abrangendo o território da Ribeira das Espinharas e prolongando-se ?até a fazenda do Jardim e a Capela de Santa Luzia, com todos os seus moradores na dist?ncia de quatro l?guas em circulo?.

 

Antiga Casa da Câmara e o largo da Matriz de Nossa Senhora da Guia

Aos 9 de maio de 1833, por Resolu??o do Conselho da Prov?ncia, foi criada a Imperial Vila de Patos, desmembrada do município de Pombal, antiga povoa??o de Nossa Senhora do Bonsucesso (do Pianc?). Nesta data, verificou-se a emancipa??o política de Patos, pois, de acordo com a legisla??o do Imp?rio, a eleva??o de uma povoa??o ? categoria de vila, dava-lhe o status de município, com autonomia e Conselho Administrativo pr?prio.
Sua instala??o ocorreu no dia 22 de agosto daquele ano. Logo no início de 1834, a C?mara Municipal de Patos enviou ? Assembl?ia Geral, uma longa representa??o, solicitando a revoga??o do Decreto de 25 de outubro de 1831, que demarcou o território da antiga Vila Nova do Pr?ncipe (Caic?-RN). No entanto, a referida representa??o n?o atingiu seus objetivos.
No plano religioso, em junho de 1839, a Freguesia de Nossa Senhora da Guia recebeu sua primeira visita pastoral, realizada por Dom João da Purifica??o Marques Perdig?o, bispo de Olinda, a cuja diocese encontrava-se subordinado todo território paraibano. Em Patos, aquele diocesano sofreu ?grande amargura por causa do depravado procedimento do vigário?, que publicamente vivia em concubinato com uma senhora da vila, morando na mesma casa e de cuja uni?o, proibida aos olhos da Igreja, havia alguns filhos. No entanto, o ilustre visitante limitou-se a determinar que o referido vigário, providenciasse resid?ncia para sua amante, em local distante da sede da freguesia.
Ainda na primeira metade do século XIX, um fato registrado na hist?ria de Patos, que merece destaque, foi a passagem de Frei Caneca pelo território patoense, na companhia de alguns confederados aprisionados. O m?rtir da Confedera??o do Equador, chegou ? povoa??o de Patos, na tarde do dia 7 dezembro de 1824, escoltado por um pelot?o das for?as legais ? Coroa. Aquele religioso deixou escrito em seu ?di?rio de viagem?, a impresSão que teve da pacata povoa??o, onde foi bem recebido e jantou na casa do padre Antônio da Silva Costa, que hospedou-o com muita afabilidade.
Em 1855, a população de Patos, totalizava 5.066 almas, sendo que 660 eram escravos. No ano seguinte, seu território foi assolado pela epidemia do c?lera morbus, o conhecido ?mal do Ganges?, vitimando 24 pessoas, que foram sepultadas em valas coletivas e distante do per?metro urbano.
Passada aquela epidemia, o governo provincial determinou a constru??o do primeiro cemit?rio na Vila de Patos. Antes, por?m, os mortos eram sepultados no interior da Matriz de Nossa Senhora da Guia. Coube ao vigário Manoel Cordeiro da Cruz, a misSão de benzer o referido cemit?rio, bem como, sua cruz, fato ocorrido no dia 19 de janeiro de 1857, em solenidade que contou com a presen?a de grande n?mero de pessoas e do padre José J?come de Fontes, coadjutor da Freguesia de Nossa Senhora da Guia.
Aos 8 de outubro de 1860, chegava ? Vila de Patos, procedente de Pombal, o Dr. Lu?s Antônio da Silva Nunes, Presidente da Prov?ncia, em visita ao interior da Paraíba, oportunidade em que foi saudado pelos membros da C?mara Municipal, sob a presid?ncia do vereador João Machado da Costa, hospedando-se na resid?ncia do vigário local.

A CRIAÇÃO DO TERMO JUDICIÁRIO E DA COMARCA

Juridicamente, a Imperial Vila de Patos integrou ? Comarca de Pombal até 29 de outubro de 1864, quando, através da lei provincial n? 139, passou a pertencer ? unidade judici?ria da Vila de Teixeira. Esta, por for?a da lei n? 597, perdeu seu status, sendo a referida comarca transferida para a Vila de Patos, aos 26 de novembro de 1875.
No entanto, aos 18 de fevereiro de 1879, o referido juizado retornou ? Vila do Teixeira, voltando a Vila de Patos ? condição de termo judici?rio. A futura capital das Espinharas somente conquistou sua independ?ncia judici?ria, após a Proclama??o da Republica, quando, no governo Ven?ncio Neiva, tornou-se novamente sede de comarca (Decreto n? 5, de 22 de janeiro de 1890).

Centro da Cidade de Patos, no final da década de 1920
Entretanto, no dia 1? de junho de 1929, aquela unidade judici?ria foi suprimida por for?a do decreto n? 1.591. Mas, sendo logo restabelecida a 18 de setembro daquele ano (decreto n? 1681) e reinstalada no dia 17 do m?s seguinte, pelo Dr. Manoel Simpl?cio de Paiva, seu novo titular.
Durante o Imp?rio, a vida política patoense girou em torno de vários nomes, a exemplo do capit?o Ildefonso Aires Cavalcanti de Albuquerque, do padre Manoel Cordeiro da Cruz, do capit?o L? (Jer?nimo José da N?brega) e do coronel Manoel Gomes dos Santos, todos eleitos deputados provinciais. A este ?ltimo, coube até 1904, a chefia política do município de Patos.

A CONSTRUÇÃO DA SEGUNDA IGREJA

Ainda na segunda metade do século XIX, por sua import?ncia econômica, a Vila de Patos passou a projeta-se no interior paraibano, apresentando um crescimento populacional de forma consider?vel, impondo ao vigário Joaquim Alves Machado a obriga??o de construir uma nova matriz, uma vez que a antiga Igreja n?o comportava mais seus fi?is.

Segunda Igreja Matriz de Patos, na década de 1930

Assim, aos 18 de abril de 1893, o referido vigário, endere?ou uma peti??o ao bispo de Olinda ? ao qual era subordinado ? solicitando autoriza??o para erigir uma nova igreja matriz. Devidamente autorizado, o referido sacerdote lan?ou a pedra fundamental para a constru??o da segunda matriz de Patos (hoje, servindo como Catedral), localizada na atual Avenida Epitácio Pessoa, em solenidade realizada aos 22 de outubro de 1893, que contou com a participa??o de grande massa popular.

A ELEVA??O ? CATEGORIA DE CIDADE

Pela Lei Estadual n? 200, de 24 de outubro de 1903, a Vila de Patos foi elevada ? categoria de cidade. Na ?poca, o referido município era representado na Assembl?ia Legislativa pelo deputado Le?ncio Pereira Monteiro Wanderley. No entanto, para facilitar o tramite nas comiss?es parlamentares e atendendo as conveni?ncias da política, o projeto que deu origem aquela lei foi apresentado pelo deputado José Campelo de Albuquerque. Aprovado, foi o mesmo sancionado pelo Dr. José Peregrino de Ara?jo, Presidente do Estado e pai do m?dico de igual nome, futuro dirigente do município de Patos.

 

Antiga Casa da C?mara e o Colégio Diocesano, no final da década de 1930

A VIDA ADMINISTRATIVA

Logo após a Proclamação da República, a gestão administrativa dos municípios paraibanos é por força da Lei n? 9, de 17 de dezembro de 1892 ? passou a ser desempenhada pelo Conselho Municipal. E, para preenchimento do referido cargo no município de Patos, o Dr. ?lvaro Machado ? segundo Presidente da Paraíba, no novo regime ? em princípios de 1893 (e n?o em 1897, como até agora vem sendo divulgado), designou o senhor Constantino Dantas Correia de G?is, por indica??o do Dr. Manoel Dantas, l?der político de Teixeira e futuro presidente da Assembl?ia Legislativa.

 

Inauguração da Ponte do São Sebastião, sob o Rio Espinharas, em 1923

 

Inauguração da Ponte do São Sebastião, em 1923

Em 1895, criado o cargo de prefeito municipal (Lei n? 27, de 2 de mar?o), aquele cidad?o foi mantido ? frente da administra??o local, tornando-se o primeiro prefeito patoense. E, embora o referido cargo tenha sido extinto aos 25 de outubro de 1900, Constantino Dantas administrou a cidade de Patos até 2 de dezembro de 1904, na condição de presidente do novo Conselho Municipal e n?o como interventor, como afirmam alguns pesquisadores locais. Para substitu?-lo, foi designado o senhor Sizenando Florindo de Sousa, cuja nomea??o marcou o início da ascenSão da fam?lia S?tyro, no cen?rio político municipal.

Festa de Nossa Senhora da Guia, em 1922

Dessa ?poca até finais de 1930, o município de Patos foi administrado pelos seguintes agentes p?blicos: Sizenando Fl?rido de Sousa (1904-1907); Sebastião Ferreira da N?brega (1907-1913), José Peregrino de Ara?jo Filho (1913-1928); Firmino Ayres Leite (1928-1930) e Canuto Torres (1930), todos sob a tutela política do ?major? Miguel S?tyro.

Hotel Central, no cruzamento da Rua Epitácio Pessoa com a atual Pedro Firmino, década de 1940

Centro da cidade Patos na década de 1940

 

Colégio Rio Branco, no centro de Patos, ao lado, o prádio da prefeitura, em constru??o

 

Cine Eldorado (hoje demolido), década de 1950

 

Aspectos do centro de Patos no final da década de 1940

 

Aspectos do centro de Patos no final da década de 1940

 

Rua Felizardo Leite, na década de 1940

 

Rua Solon de Lucena, no final da década de 1940

 

Rua Solon de Lucena, no final da década de 1930, antes da constru??o
da atual Catedral de Nossa Senhora da Guia

Durante a ditadura Vargas, a exemplo dos outros municípios brasileiros, Patos viveu um clima de instabilidade administrativa, tendo sido governado por nove prefeitos discricion?rios, nomeados pelo regime revolucionário. Redemocratizado o país, nas elei?es realizadas a 17 de janeiro de 1947, o Dr. Cl?vis S?tiro e Sousa foi eleito para dirigir os destinos administrativos de Patos, tornando-se o primeiro prefeito constitucional do município, após a queda do Estado Novo.
Seguidamente, foram eleitos os seguintes prefeitos: Darc?lio Wanderley (1951-1955); Nabor Wanderley (1955-1959); Bivar Olinto (1959-1963); José Cavalcanti da Silva (1963-1969); Olavo N?brega (1969-1973); Aderbal Martins (1973-1977); Edmilson Fernandes Mota (1977-1983); Rivaldo Medeiros (1983-1989); Geralda Medeiros (1989-1992), Antônio Iv?nio de Lacerda (1993-1996) e Dinaldo Wanderley (1997-2000 e de 2001-2004).

 

                         Bivar Olinto no dia de sua posse como prefeito de Patos-PB

Em princ?pios de 1963, Bivar Olinto renunciou a Prefeitura Municipal de Patos, após ser convocado para ocupar uma vaga na C?mara dos Deputados e teve seu mandato conclu?do pelo vice Ot?vio Pires de Lacerda. Atualmente, a ?Cidade Morada do Sol? ? administrada pelo Dr. Nabor Wanderley Filho, que eleito em 2004, dever? governar até 31 de dezembro de 2008.

A IMPRENSA PATOENSE

A imprensa chegou ? cidade de Patos, em 1914. Naquele ano, Gen?sio Gambara ? ilustre advogado provisionado e homem de letras, que eleito deputado estadual, teve uma atua??o destacada no plen?rio da Assembl?ia Legislativa ? fundou o jornal ?A Voz do sertão?, cujo primeiro n?mero circulou no dia 14 de mar?o daquele ano.
Posteriormente, surgiu ?O Jornal do sertão?, sob a direção do ?major? Miguel S?tiro, considerado a maior expresSão do cen?rio político patoense, durante a República Velha. Esse jornal, em sua primeira fase, circulou de 1916 a 1917, e, numa segunda, de 1925 a 1926. Atualmente, editam-se na cidade de Patos os seguintes jornais: ?A Folha Patoense?, ?A Voz do Povo?, ?O sertão?, e o ?Jornal Empresarial? ? além da revista ?O Nosso Recado? ? todos de circula??o mensal.
Por muito tempo, a população patoense, reivindicou uma agência bancária. E, graças a iniciativa do agropecuarista João Olinto de Melo e Silva, foi fundado o Banco Agrícola de Patos, em solenidade realizada a 20 de outubro de 1925, no sal?o nobre da extinta Associação dos Empregados no Com?rcio. Em finais do ano seguinte, a cidade recebeu a visita do Dr. Washington Lu?s, rec?m-eleito presidente da República, que encontrava-se em visita aos estados do Nordeste.

PADRE FERNANDO GOMES: DO VICARIATO AO ARCEBISPADO

Em 17 de dezembro de 1936, o padre Fernando Gomes dos Santos foi nomeado vigário da Paróquia de Patos. Sacerdote virtuoso, foi o segundo patoense a reger a Matriz de Nossa Senhora da Guia, empossando-se em suas novas fun?es no dia 1? do m?s seguinte.
Em seu vicariato ? que durou seis anos ? conseguiu realizar uma a??o pastoral das mais produtivas para a cidade de Patos. Remodelou e ampliou a Igreja Matriz; adquiriu um imóvel, que passou a servir como Casa Paroquial; fundou ?A??o Catélica?; criou o ?C?rculo Oper?rio? (25-02-1940) e fundou a ?Casa dos Pobres? (1942), transformada, posteriormente, em ?Dispens?rio dos Pobres?.

 

Igreja de Nossa Senhora da Guia, atual Catedral, no início da década de 1940

Preocupado com a Educação de seus conterrâneos, o padre Fernando Gomes instalou ?Colégio Cristo Rei? (04-03-1938) e o ?Ginásio Diocesano?, garantindo o desenvolvimento cultural da juventude patoense. E, tanto fez que conquistou a estima total de seus paroquianos.
Sua magnífica ação pastoral contribuiu para a distinção com o canonicato, ocorrida em 18 de junho de 1941. No ano seguinte, aos 18 de janeiro, o c?nego Fernando Gomes dos Santos foi agraciado com o t?tulo de monsenhor e por fim, no dia 12 de janeiro de 1943 ? aos 33 anos de idade incompletos ? ascendeu ao episcopado, sendo nomeado bispo da Diocese de Penedo-AL. Em 1949, tornou-se titular da Diocese de Aracaj?.

 

Dom Fernando, no dia de sua sagração episcopal

Posteriormente, ascendendo ao arcebispado, foi nomeado para ocupar a Arquidiocese de Goiânia, onde empossou-se no dia 16 de junho de 1957. Perfeito exemplo de levita do senhor, além de ser considerado o mais ilustre de todos os patoenses, Dom Fernando ? tido como a uma das maiores figuras do clero brasileiro.

A CHEGADA DO PROGRESSO

até o início da segunda metade do século passado, o município de Patos teve a cultura do algodão como sua principal fonte econômica. Essa cultura, bastante difundida no sertão paraibano, possibilitou a instala??o de grandes empresas na cidade de Patos, a exemplo da CICA, da Anderson Clayton e da SANBRA. Esta ?ltima, encerrou suas atividades em 1? de abril de 1980, face o decl?nio da cultura do algodão, na regi?o.

 

Instalações da CICA, em Patos, final da década de 1940

 

No final da primeira metade do século XX, Patos tornou-se o principal
centro de comercialização de algodão em todo o sertão paraibano

Esse progresso econômico, assinalado a partir de 1934, proporcionou a fundação da Associação Comercial Industrial e Agrícola de Patos, ocorrida no dia 1? de novembro de 1943. Na década de 50, a indústria predominante no município era a têxtil, representada pelo beneficiamento do algodão, que possibilitou uma produ??o industrial de 116 milh?es de cruzeiros, em 1954. Nesse mesmo ano, o município foi considerado o primeiro produtor de oiticica no Estado, apresentando uma produ??o de 1.893 toneladas.
Em 1974, Patos possuía 151 unidades industriais, ocupando quase 700 trabalhadores diretos e explorando os ramos de vestuário, calçados e artefatos de tecidos. Nos ?ltimos anos, a indústria de calçados vem crescendo de maneira satisfatéria no município, e, hoje, constitui-se num dos maiores sustent?culos da economia local.

A CRIAÇÃO DA DIOCESE

Como cidade p?lo, Patos tornou-se sede da segunda diocese do sertão paraibano, criada em 17 de janeiro de 1959, através da Bula ?Quando quidem Deus?, assinada pelo Papa João XXIII. A referida diocese foi instalada aos 12 de julho daquele ano, oportunidade em que Dom Expedito Eduardo de Oliveira, tomou posse na condição de seu primeiro bispo. Natural de Pacatuba-CE, aquele ilustre diocesano faleceu prematuramente no dia 8 de maio de 1983, após 24 anos de muito trabalho e dedica??o ao povo patoense.
O segundo titular da diocese de Patos foi Dom Gerardo Andrade Ponte, que empossado aos 26 de fevereiro de 1984, governou o s?lio patoense até 1? de dezembro de 2001, quando tornou-se bispo em?rito e foi substituído por Dom Manoel dos Reis de Farias, ainda em exerc?cio. Hoje, a diocese e o poder p?blico municipal, desenvolvem vários projetos de a??o social, visando o resgate da cidadania e beneficiando as comunidades mais pobres da periferia da cidade.

A INSTALAÇÃO DA PRIMEIRA EMISSORA DE rádio

O primeiro veículo de comunicação radiofônica da cidade de Patos foi a ?rádio Espinharas?, oficialmente instalada no dia 1? de agosto de 1950. A referida emissora nasceu a servi?o da política e nessa condição, permaneceu até 1963. No ano seguinte, após um curto per?odo de inatividade, foi adquirida pela diocese, por iniciativa de Dom Expedito Eduardo de Oliveira, passando a desenvolver o programa do ?Movimento de Educação de Bases?.

A CAMPANHA MUNICIPALISTA DA DÉCADA DE 60

Em finais de dezembro de 1961, do território do antigo município de Patos, foram desmembrados os municípios de Salgadinho (Lei n? 2.676), Santa Terezinha (Lei n? 2.677), Passagem (Lei n? 2.679), Cacimba de Areia (Lei n? 2.689) e São José de Espinharas (Lei n? 2.697), cujos projetos de lei foram apresentados na Assembl?ia Legislativa, pelo deputado José Cavalcanti da Silva, que representou o município de Patos, na ?Casa de Epitácio Pessoa?, durante quatro legislaturas. Hoje, o município de Patos ? composto por dois distrito: o da sede e o de Santa Gertrudes.

O NASCIMENTO DAS FACULDADES INTEGRADAS DE PATOS

Em 1968, num gesto pioneiro e ousado, por iniciativa do senhor José Gomes Alves, foi instalada a Faculdade de Economia de Patos, cabendo sua coordenação e manuten??o ? fundação Francisco Mascarenhas, que deu a Patos, o status de ?Cidade Universit?ria?. E, hoje, oferece os cursos de Economia, Pedagogia, Letras, Hist?ria, Geografia, Jornalismo, Inform?tica e Enfermagem, através das Faculdades Integradas de Patos (FIP), que constituem-se no maior complexo educacional do sertão paraibano.

UM PATOENSE NO GOVERNO DA Paraíba

De 1971 a 1975, Paraíba foi administrada por Ernani Aires S?tyro e Sousa, ilustre jurista patoense, que eleito deputado federal, representou a Paraíba no Parlamento Nacional, por dez legislaturas. Durante seu governo, a cidade de Patos foi bastante beneficiada. Entre as várias obras aqui realizadas, nesse per?odo, destacam-se o ?F?rum Municipal Miguel S?tiro?, a ?Barragem da Farinha?, o ?Colégio Capit?o Manoel Gomes?, a ?Unidade Administrativa Integrada?, a ?Escola de 1? Grau Rio Branco?, além da ?Estrada Reden??o do Vale? (trecho Patos-Itaporanga).

 

                                               Ernani S?tyro, governador da Paraíba

PATOS: CELEIRO DA CULTURA E BE?O DE GRANDES NOMES

Considerada com um dos celeiros da cultura paraibana, a cidade de Patos é terra natal de muitos expoentes do jornalismo e das letras provincianas, a exemplo de João Rodrigues Coriolano de Medeiros, Ernani S?tyro, Allyrio Meira Wanderley, Nelson Lustosa, F?tima Ara?jo, Fl?vio S?tiro Fernandes, Balila Palmeira, José Urquiza e Tarc?sio Meira C?sar, entre outros.

 

José Antônio Urquiza, advogado, professor universitário e escritor

Na política, sua primeira figura de projeção foi o Dr. Apolônio Zenaide Peregrino de Albuquerque, que eleito deputado provincial, estadual e federal, em várias legislaturas, presidiu a Assembl?ia Legislativa por duas vezes. E, ao falecer em 1908, estava eleito para o Senado da República.

 

Apolônio Zenaide, político e advogado patoense

Depois de Apolônio Zenaide, o patoense de maior destaque no cen?rio político estadual e nacional, foi o Dr. Ernani Ayres S?tyro e Sousa ? ilustre jurisconsulto e homem de letras ? que eleito deputado federal por várias vezes, governou a Paraíba, permanecendo em evid?ncia até 1986, quando faleceu.
No plano cultural, durante o Governo Burity-II, através do decreto n? 5.048, de 21 de julho de 1988, foi criada em Patos a ?fundação Ernani S?tyro?, com o objetivo de preservar a memória de seu patrono e dinamizar a cultura no sertão paraibano.
Numa iniciativa pioneira em todo o sertão paraibano, aos 24 de outubro de 1997, fundou-se o Instituto Hist?rico e Geogr?fico de Patos, institui??o que tem por finalidade promover e divulgar a pesquisa hist?rica e geogr?fica na regi?o das Espinharas, e, que tamb?m visa resgatar os valores culturais e salvaguardar a memória hist?rica do povo patoense.

Data: 
sexta-feira, Setembro 26, 2014 - 17:30
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