
O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, de 62 anos, foi assassinado a tiros na manhã desta segunda-feira (15), em Praia Grande, no litoral paulista. O crime ocorreu enquanto ele dirigia pela cidade e foi alvo de uma emboscada armada por criminosos fortemente armados.
De acordo com imagens de câmeras de segurança obtidas pela imprensa, Fontes teve o carro alvejado durante a perseguição, perdeu o controle da direção e acabou colidindo contra um ônibus. Em seguida, homens encapuzados desceram de outro veículo e dispararam diversos tiros de fuzil à queima-roupa contra o delegado, confirmando a execução.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o veículo usado pelos criminosos foi localizado e apreendido. Equipes da Polícia Militar e da Polícia Civil isolaram a área e iniciaram imediatamente as diligências para identificar e prender os responsáveis.
Com mais de 40 anos de carreira na Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes construiu sua trajetória no enfrentamento direto às facções criminosas, em especial ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele foi um dos responsáveis pela prisão de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e, em 2019, durante sua gestão como delegado-geral, autorizou a transferência do líder da facção para um presídio federal — medida que o colocou na mira do crime organizado e lhe rendeu ameaças de morte.
Fontes também atuou em unidades estratégicas da corporação, como o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e o Denarc, sempre em posições de comando. Fora da polícia, exercia a função de secretário de Administração de Praia Grande e também era professor universitário na área de Criminologia e Investigação Policial.
A morte de Fontes gerou forte comoção entre autoridades e colegas de corporação. Em nota, a SSP lamentou a perda e ressaltou sua importância no enfrentamento ao crime organizado. “O ex-delegado deixa um legado de coragem, comprometimento e dedicação à segurança pública de São Paulo”, afirmou o comunicado.
A execução de um dos nomes mais emblemáticos da polícia paulista reacende o debate sobre a vulnerabilidade de autoridades que atuaram diretamente contra facções criminosas e expõe a ousadia de organizações criminosas que desafiam o Estado.
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