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Uma carta escrita anos antes da tragédia revela os sonhos e os pedidos simples do jovem Gerson de Melo Machado, de 19 anos, que morreu após ser atacado por uma leoa no Parque Arruda Câmara, em João Pessoa

“Gerson não desejou nada material, não desejou nada impossível, mas parece que a vida dele foi feita de impossibilidades. Como doeu ler essa carta cheia de significados e recados. Espero que aqueles que jogaram Gerson na ‘Cova dos Leões’ leiam e consigam dormir”, escreveu a conselheira nas redes sociais.

19/12/2025 às 07h33
Por: Gilson Monteiro Fonte: noticiaparaiba.com.br
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Foto/divulgação
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Uma carta escrita anos antes da tragédia revela os sonhos e os pedidos simples do jovem Gerson de Melo Machado, de 19 anos, que morreu após ser atacado por uma leoa no Parque Arruda Câmara, em João Pessoa, conhecido como a Bica. O texto, produzido em um Natal passado, foi divulgado nas redes sociais pela conselheira tutelar Verônica Oliveira, que acompanhou o rapaz por anos e destacou a carga emocional do conteúdo.

Conhecido como “Vaqueirinho”, Gerson havia sido diagnosticado com esquizofrenia e tinha histórico de abandono familiar e de internações interrompidas em instituições de acolhimento. Ele morreu no dia 30 de novembro, após escalar um muro de cerca de seis metros e entrar no recinto de uma leoa dentro do parque zoológico da capital paraibana.

Na carta, intitulada “Desejo do Coração” e endereçada a uma professora do Centro Educacional do Adolescente (CEA), Gerson escreveu sobre o desejo de viver uma felicidade que nunca teve e pediu, de forma direta, pela presença da mãe.

“Eu queria ter uma felicidade que nunca tive, mas, como Deus é maior, um dia eu vou ter. Eu queria ter uma visita da minha mãe para ter carinho e amor”, escreveu.

Em outro trecho, o jovem falou sobre sonhos profissionais. Segundo a conselheira tutelar, Gerson tinha grande apreço por animais e demonstrava interesse por áreas ligadas à proteção ambiental. Na carta, ele mencionou o desejo de atuar como policial florestal ou veterinário.

“Desejo um emprego de polícia florestal ou veterinário”, escreveu.

Apesar de estar internado à época no Centro Educacional do Adolescente, Gerson agradeceu pelo acolhimento recebido e destacou a importância dos conselhos e do apoio da professora, afirmando que, mesmo privado de liberdade, encontrou orientação e cuidado.

Ao comentar a carta, Verônica Oliveira afirmou que os pedidos do jovem não envolviam bens materiais nem desejos inalcançáveis, mas refletiam necessidades básicas de afeto, pertencimento e oportunidade.

“Gerson não desejou nada material, não desejou nada impossível, mas parece que a vida dele foi feita de impossibilidades. Como doeu ler essa carta cheia de significados e recados. Espero que aqueles que jogaram Gerson na ‘Cova dos Leões’ leiam e consigam dormir”, escreveu a conselheira nas redes sociais.

O caso segue gerando comoção e debates sobre saúde mental, abandono social e falhas no acolhimento de jovens em situação de vulnerabilidade em João Pessoa.

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