
Partidos do chamado Centrão conseguiram avançar, nos últimos dias, nas negociações de cargos no novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A entrada do bloco formado pelas legendas Republicanos e PP já é considerada “certa” por interlocutores do Palácio do Planalto. As conversas se intensificaram após a semana de esforço concentrado na Câmara dos Deputados, que levou à aprovação de pautas importantes para o Executivo, como a reforma tributária e o retorno do voto de qualidade que beneficia o governo no Conselho Administrativo de Recursos Federais (Carf).
Partidos de centro, que foram fundamentais para resultados positivos do governo nas últimas semanas e no primeiro semestre, olham com volúpia para cargos de primeiro, segundo e demais escalões do governo federal. As conversas caminham no sentido de selar acordos que possam garantir mais tranquilidade a Lula em votações no restante do ano.
Após ter um começo conturbado com o Congresso Nacional, o Executivo conseguiu alinhar pautas para emplacar vitórias econômicas antes do recesso parlamentar. Os ganhos devem ser atribuídos não só a base de Lula, que, ainda está em acerto, mas também aos partidos de centro que acenaram ao governo.
O próprio presidente Lula fez questão de receber, no dia 7 de julho, após o esforço concentrado na Câmara Federal, líderes de partidos envolvidos nas pautas econômicas, incluindo nomes do Centrão. O petista agradeceu as “importantes votações da semana”. O grupo, capitaneado por Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, posou sorridente ao lado do mandatário.
Sucesso às vésperas do recesso
Entre a noite de quinta (6/7) e a madrugada de sexta-feira (7/7), o governo emplacou uma das vitórias mais significativas no Congresso Nacional neste primeiro semestre. A proposta da reforma tributária enfrentou grande resistência, mas — sob a articulação de Arthur — conseguiu ser aprovada na Câmara dos Deputados, com 382 votos favoráveis no primeiro turno e 375 no segundo.
A alteração no modelo tributário é discutida há cerca de 20 anos no Legislativo. Em busca de uma agenda positiva também para si, Lira montou uma “supersemana” na pauta da Casa para aprovar a matéria relatada pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).
No União Brasil, 48 dos 59 deputados apoiaram a aprovação da reforma. Enquanto isso, no Republicanos, após o aceno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, dos 39 deputados do Republicanos, 36 votaram a favor da proposta no plenário da Câmara. Já no PP, dos 49 parlamentares, 40 foram favoráveis à matéria.
Somados com o PT, com uma bancada de 68 deputados, o governo, se juntar-se aos partidos União, Republicanos e PP, irá contabilizar 217 parlamentares para ter sucesso nos projetos da Câmara.
Apesar da sinalização clara do governo, em especial do ministro Fernando Haddad, da Fazenda, a favor da reforma tributária, Lira e os parlamentares que defendiam a proposta investiram no discurso de que a pauta interessa ao país, não necessariamente a este ou àquele governo. Tanto o presidente da Casa quanto o relator afirmaram, nos últimos dias, que o tema não se tratava de uma briga entre Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ambos tentaram minimizar a politização em torno da proposta.
Para viabilizar a aprovação do texto da reforma tributária, o presidente da Câmara fez uma série de negociações com objetivo de destravar a matéria. Em movimento simbólico, na noite de quinta, Lira foi à tribuna para um manifesto favorável à proposta.
“Estamos vivendo um momento histórico para o país e para as nossas vidas parlamentares. O país olha para este plenário esperando uma resposta nossa para a aprovação de uma reforma tributária justa, neutra, que dê segurança jurídica e promova o desenvolvimento econômico e social. Não podemos nos furtar a essa responsabilidade”, disse.
O posicionamento incisivo do presidente da Câmara a favor da reforma tributária causou, no entanto, desconfiança nos articuladores do entorno de Lula, que avaliam que Lira enfrentava uma espécie de “ressaca” após ter emparedado o governo em momentos recentes.
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