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Centrão avança em negociações de cargos no governo Lula

As conversas se intensificaram após a semana de esforço concentrado na Câmara dos Deputados

13/07/2023 às 08h38
Por: Odair Morais Fonte: Metrópoles
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Centrão avança em negociações de cargos no governo Lula

Partidos do chamado Centrão conseguiram avançar, nos últimos dias, nas negociações de cargos no novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A entrada do bloco formado pelas legendas Republicanos e PP já é considerada “certa” por interlocutores do Palácio do Planalto. As conversas se intensificaram após a semana de esforço concentrado na Câmara dos Deputados, que levou à aprovação de pautas importantes para o Executivo, como a reforma tributária e o retorno do voto de qualidade que beneficia o governo no Conselho Administrativo de Recursos Federais (Carf).

Partidos de centro, que foram fundamentais para resultados positivos do governo nas últimas semanas e no primeiro semestre, olham com volúpia para cargos de primeiro, segundo e demais escalões do governo federal. As conversas caminham no sentido de selar acordos que possam garantir mais tranquilidade a Lula em votações no restante do ano.

Após ter um começo conturbado com o Congresso Nacional, o Executivo conseguiu alinhar pautas para emplacar vitórias econômicas antes do recesso parlamentar. Os ganhos devem ser atribuídos não só a base de Lula, que, ainda está em acerto, mas também aos partidos de centro que acenaram ao governo.

O próprio presidente Lula fez questão de receber, no dia 7 de julho, após o esforço concentrado na Câmara Federal, líderes de partidos envolvidos nas pautas econômicas, incluindo nomes do Centrão. O petista agradeceu as “importantes votações da semana”. O grupo, capitaneado por Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, posou sorridente ao lado do mandatário.

Sucesso às vésperas do recesso

Entre a noite de quinta (6/7) e a madrugada de sexta-feira (7/7), o governo emplacou uma das vitórias mais significativas no Congresso Nacional neste primeiro semestre. A proposta da reforma tributária enfrentou grande resistência, mas — sob a articulação de Arthur — conseguiu ser aprovada na Câmara dos Deputados, com 382 votos favoráveis no primeiro turno e 375 no segundo.

A alteração no modelo tributário é discutida há cerca de 20 anos no Legislativo. Em busca de uma agenda positiva também para si, Lira montou uma “supersemana” na pauta da Casa para aprovar a matéria relatada pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).

No União Brasil, 48 dos 59 deputados apoiaram a aprovação da reforma. Enquanto isso, no Republicanos, após o aceno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, dos 39 deputados do Republicanos, 36 votaram a favor da proposta no plenário da Câmara. Já no PP, dos 49 parlamentares, 40 foram favoráveis à matéria.

Somados com o PT, com uma bancada de 68 deputados, o governo, se juntar-se aos partidos União, Republicanos e PP, irá contabilizar 217 parlamentares para ter sucesso nos projetos da Câmara.

Apesar da sinalização clara do governo, em especial do ministro Fernando Haddad, da Fazenda, a favor da reforma tributária, Lira e os parlamentares que defendiam a proposta investiram no discurso de que a pauta interessa ao país, não necessariamente a este ou àquele governo. Tanto o presidente da Casa quanto o relator afirmaram, nos últimos dias, que o tema não se tratava de uma briga entre Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ambos tentaram minimizar a politização em torno da proposta.

Para viabilizar a aprovação do texto da reforma tributária, o presidente da Câmara fez uma série de negociações com objetivo de destravar a matéria. Em movimento simbólico, na noite de quinta, Lira foi à tribuna para um manifesto favorável à proposta.

“Estamos vivendo um momento histórico para o país e para as nossas vidas parlamentares. O país olha para este plenário esperando uma resposta nossa para a aprovação de uma reforma tributária justa, neutra, que dê segurança jurídica e promova o desenvolvimento econômico e social. Não podemos nos furtar a essa responsabilidade”, disse.

O posicionamento incisivo do presidente da Câmara a favor da reforma tributária causou, no entanto, desconfiança nos articuladores do entorno de Lula, que avaliam que Lira enfrentava uma espécie de “ressaca” após ter emparedado o governo em momentos recentes.

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