
Após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília (DF), o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, admitiu que votará no Senado a favor do fim da escala 6 x 1, uma pauta do governo de seu adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6 x 1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6 x 1. Só que a gente defende algo ainda melhor”, disse Flávio.
Flávio vinha se colocando contra a proposta do governo Lula, a qual definiu como “oportunista” e “eleitoreira”. Mas recuou a agora a trata como um desejo do eleitor. Porém, ele avalia que a proposta apresentada sob a forma de PEC possui lacunas regulatórias e carece de maior flexibilidade.
Segundo ele, o modelo atual desconsidera realidades contemporâneas, a exemplo do regime de home office e das necessidades específicas de mães com restrições de horários, e defendeu em contrapartida uma autonomia maior na escolha da jornada.
“Eu queria que tivesse liberdade para o trabalhador montar sua jornada de trabalho. Como é que fica a pessoa que trabalha de home office? Isso não está definido na PEC. Como é que fica aquela mãe que não tem com quem deixar o seu filho, só pode trabalhar, por exemplo, quatro horas por dia, só pode trabalhar de manhã ou só pode trabalhar de tarde? Vai continuar engessada a jornada dela”, disse o senador.
Antes crítico, o senador agora diz ver o fim da 6 x 1 como um “processo de evolução” e não poupou Lula de críticas. “Eu acho que a gente tem que buscar ali fazer com que o trabalhador tenha direito a uma folga maior sim, só que a realidade do brasileiro hoje é que o Lula quebrou as empresas, as empresas estão endividadas e o Lula endividou também as famílias brasileiras”.
Conforme o presidenciável, o governo terá que arcar com o ônus desse novo modelo de relação empregador x empregado.
“Quem vai pagar essa conta vai ser o governo, porque os empresários estão sufocados, estão quebrados. Então, o governo é que vai ter que bancar essa compensação, porque, obviamente, quando você reduz a jornada de trabalho, será necessária a contratação de mais pessoas, tem o risco de muita gente ir para a informalidade”, observou.
A 12 dias das eleições presidenciais Flávio voltou a ter contato direto com Bolsonaro, no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico. O senador chegou na residência do pai por volta das 9h45. Bolsonaro cumpre pena em regime domiciliar após ser condenado a 27 anos e 3 meses por liderar a trama golpista.
“Então saio muito feliz daqui. Ele [Bolsonaro] estava muito alegre com o resultado dessas eleições, com o primeiro turno, a gente vindo na frente. Estava muito feliz de ter sido ouvido pela maioria do povo brasileiro, que deu um Senado forte para a legislatura a partir de 2027. Deu uma Câmara ainda mais forte também, mais à direita. Então a expectativa dele é a melhor possível com relação ao futuro do nosso Brasil”, falou Flávio.
O retorno às visitas foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após 90 dias de proibição. O veto se encerrou no último domingo (11/10). Segundo o magistrado, não surgiram fatos novos que justificassem a prorrogação da medida.
Nessa segunda-feira (12/10), Flávio afirmou, durante coletiva após cerimônia em homenagem ao Dia da Padroeira, em Brasília, que estava ansioso para ver pai e criticou a restrição imposta pelo STF.
“Estou ansioso, há mais de três meses sem vê-lo por uma decisão sem nenhum amparo legal. Separar o filho do pai é o mais grave. Quero saber como está o rosto dele, o ânimo dele com o que está acontecendo”, declarou o presidenciável.
Após visitar o pai, Flávio Bolsonaro seguiu para São Paulo a fim de participar de reunião com o MDB e, depois, do Grande Encontro do Associativismo com a coordenadora econômica de sua campanha, Daniella Marques.
Na semana passada, o senador conversou com o presidente nacional emedebista, Baleia Rossi, para acertar o anúncio do apoio de diretórios regionais da sigla.
Flávio Bolsonaro ampliou as alianças para 25 de outubro com o apoio de União Brasil, Podemos, PP, Republicanos e Novo.
Fonte: Metrópoles
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