
Somente em 2022, foram registrados na Paraíba 630 novos casos de HIV/AIDS e 119 mortes por conta da doença, segundo a Secretaria de Saúde do Estado (SES). Apesar de muito avanço ter sido alcançado ao longo dos anos, casos seguem sendo subnotificados no estado e, neste Dia Mundial de Luta Contra a Aids (1º), a luta deve ser contra o estigma.
Dos novos registros deste ano, a faixa etária entre 20 e 49 possui a maior incidência: 538 casos. Já a faixa entre 20 e 29 anos registrou 211 novos casos, o que chama atenção da gerente operacional de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) da PB, Ivoneide Lucena.
Ela afirma que a maior meta atualmente é fazer com que a juventude que cada vez mais está adquirindo o vírus, faça o teste rápido o quanto antes: "depois de um mês (de infecção), o vírus já se reproduz no organismo, mas, ainda não baixou a imunidade. Se demorar muito, a imunidade baixa o que pode causar a Aids e, muitas vezes, abrir espaço para doenças oportunistas", disse.
Além disso, o estigma faz com que muitos achem que relações heterossexuais estão isentas de risco e por isso, não se previnem.
Conforme o último Boletim Epidemiológico da doença, que analisou números de 2018 até 2021, observa-se que, em relação à categoria de exposição hierarquizada de AIDS em adultos, a maioria dos casos tem transmissão via sexual, sendo 43,4% heterossexual, seguida de homossexual 19,4% e bissexual com 2,8%.
Ivoneide relata que muitas pessoas só descobrem a doença na gravidez, quando chegam nos serviços de saúde para fazer o pré-natal e é exigido um teste de HIV.
“Sabemos que a subnotificação é muito grande. Para cada 10 casos notificados, 10 não são. Temos várias pessoas com HIV na Paraíba que não sabem que tem, não sentem nenhum sintoma e acabam não procurando o serviço. Infelizmente, por não saber, acabam transmitindo o HIV pra outras pessoas em relações sexuais desprotegidas”, disse Ivoneide.
A falta de acesso à informação também faz com que esses números acometam a população mais vulnerável do estado.
“70% das pessoas que são diagnosticadas são de baixa renda e grande maioria é homem, mas sabemos que o HIV não escolhe raça, não escolhe orientação sexual, não escolhe gênero”, pontua a gerente.
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