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Justiça revoga prisão preventiva de acusado de feminicídio brutal de jovem em Cajazeiras

Juiz entendeu que material genético encontrado nas unhas da vítima vincula acusado ao local, mas não comprova que ele estava no imóvel no momento do crime

17/08/2026 às 22h40
Por: Gilson Monteiro Fonte: Patos Online com Diário do Sertão
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Fotos: reprodução
Fotos: reprodução

O juiz Ricardo Amorim, da 1ª Vara da Comarca de Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, revogou a prisão preventiva de David Arayam de Lima Braga, acusado pela morte da jovem Ianny Marry Barreto Lira, de 28 anos. O crime aconteceu em outubro de 2023 e o indiciado foi preso em setembro de 2025, dentro da própria casa, no bairro Sol Nascente, em Cajazeiras.

Ianny foi encontrada morta dentro da própria residência, localizada no bairro Sol Nascente, conhecido como Casas Populares, em Cajazeiras. Segundo a denúncia do Ministério Público, a vítima apresentava sinais de agressão e abuso sexual, estava com as mãos amarradas e uma peça íntima introduzida na boca. A causa da morte apontada na acusação foi asfixia mecânica direta.

A principal suspeita recaiu sobre David, que mantinha um relacionamento com a vítima. Durante a investigação, um exame pericial identificou material genético do acusado nas unhas de Ianny.

Na decisão que revogou a prisão, entretanto, o magistrado considerou que o resultado do exame, isoladamente, não seria suficiente para demonstrar que David estava no local no momento do assassinato.

“O exame de DNA em questão é suficiente para vincular o réu ao local do crime e confirma a existência de contato dele com a vítima, mas não é suficiente para colocá-lo no momento do crime naquele local.”

A decisão atende a uma tese apresentada pela defesa, que apontou fragilidade das provas, ausência de contemporaneidade da prisão preventiva e possibilidade de transferência secundária do material genético.

Defesa sustenta que casal se encontrou antes do crime

O advogado Ítalo Estevam, que representa David, participou nesta segunda-feira (17) do programa Olho Vivo, da TV e Rede Diário, e apresentou os principais argumentos utilizados pela defesa.

Segundo ele, o material genético encontrado nas unhas da vítima não comprovaria a participação do acusado no homicídio, uma vez que David e Ianny teriam se encontrado durante a semana em que ocorreu o crime, inclusive na noite anterior.

A defesa também destacou que David teria procurado a polícia espontaneamente no dia do crime, antes de ser formalmente apontado como suspeito. Na ocasião, conforme o advogado, ele foi submetido a exame para verificar possíveis lesões, mas não apresentava ferimentos.

Para Ítalo Estevam, esse elemento seria incompatível com a hipótese de uma luta corporal entre acusado e vítima.

O advogado também mencionou conversas recuperadas dos celulares de David e Ianny e anexadas ao processo. Segundo a defesa, os diálogos indicariam a existência de uma relação afetiva sem registros de comportamento agressivo, possessivo ou de violência doméstica por parte do acusado.

Defesa questiona motivação

Durante a entrevista, o advogado também afirmou considerar que as circunstâncias em que Ianny foi encontrada indicariam características que, em sua avaliação, seriam incompatíveis com o perfil de seu cliente.

Ítalo Estevam classificou o caso como um crime de extrema brutalidade e sustentou que a forma como o corpo foi encontrado poderia indicar uma motivação relacionada a vingança ou ódio, hipótese que, segundo ele, não teria relação com David.

A defesa afirmou ainda que a decisão representa um momento importante para o acusado, embora reconheça que o processo ainda não chegou ao fim e que a revogação da prisão preventiva não representa uma declaração de inocência.

Acusação

Conforme o histórico processual apresentado na decisão, o corpo de Ianny foi encontrado no dia 15 de outubro de 2023, por volta das 14h, dentro da residência onde ela morava. Segundo a denúncia, o homicídio teria ocorrido durante a madrugada anterior.

A denúncia contra David foi recebida pela Justiça em 24 de novembro de 2024. Posteriormente, foi decretada a prisão preventiva do acusado, além da autorização para cumprimento de mandado de busca e apreensão.

Durante a instrução processual, foram ouvidas testemunhas e declarantes, prestados esclarecimentos complementares e realizado o interrogatório do réu.

Nas alegações finais, o Ministério Público pediu a pronúncia de David, para que ele fosse submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. A defesa, por sua vez, sustentou a fragilidade do conjunto probatório, questionou a contemporaneidade da prisão e voltou a apontar a possibilidade de transferência secundária do material genético.

Com a decisão desta segunda-feira (17), David deixa a prisão preventiva, mas continua respondendo ao processo, que ainda terá prosseguimento na Justiça.

Por Patos Online
Com informações do Diário do Sertão

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